sábado, 23 de novembro de 2013

Incredible India: Goa, memórias de um passado recente

Goa: Memórias de um passado recente 
 
Goa é o menor estado da Índia em superfície e um dos mais pequenos em população, sendo também o mais rico.
 
Os Portugueses ocuparam Goa de 1505 a 1961 mas o sinais da presença Portuguesa são tão esbatidos que parece que se foram há muito mais tempo. Hoje em dia só as pessoas com mais de 70 anos falam fluentemente Português, os seus filhos já menos e os seus netos já nada falam.
 
A antiga capital chama-se Velha Goa e mudou-se para Panjim em 1843.
 
 
Vista para Velha Goa da Igreja da Nossa Senhora do Monte. O rio Mandovi que passa ao largo de Panjim, a capital de Goa, tem agora imensos crocodilos porque os Portugueses decidiram trazer alguns exemplares de Angola para evitar que os locais cruzassem o rio.

Em Goa, há igrejas em todas as esquinas, construídas por inúmeras ordens religiosas. Na Basílica do Bom Jesus (canto inferior direito) encontram-se os restos mortais de S. Francisco Xavier (que estão expostos). A Igreja da Nossa Senhora do Monte foi a única construída pelos Portugueses (imagem centro inferior). A imagem superior direita é a Sé Catedral.

Igreja da Nossa Senhora da Imaculada Concepção em Panjim, ao que parece bastante popular como cenário nos filmes de Bollywood.

Casas estilo Gôes, bastante populares e relativamente bem mantidas, especialmente em comparação com outros edifícios do género noutros estados da Índia.
Vestígios da presença portuguesa na vida comercial de Panjim.

MG Road (Mahatma Gandhi Road), um clássico de qualquer cidade Indiana. E do outro lado, um dos vários nomes de rua ainda Portugueses de Panjim.


Jardim Garcia de Orta em Panjim.

Mercado de sexta-feira em Mapusa. Vendendo flores para as cerimónias religiosas.
 

 
As especiarias que são essenciais à cozinha Indiana e as quais eu já não conseguia comer ao fim de 3 semanas. A cozinha Indiana é uma explosão de sabores e cheiros em cada prato e para alguém como eu que gosta de comida sensaborona, foi um grande desafio conseguir sobreviver.
Barbearia no mercado.
O mercado completamente apinhado...até porque era a noite de celebração do Diwali.

 
Durante os dia do Diwali, fazem-se este bonecos de papelão assentes em estruturas metálicas e à noite pegam-lhes fogo. O Diwali, conhecido por festa das luzes, representa a vitória do bem sobre o mal, e é uma espécie de Natal hindu que dura 5 dias. Há também velas acesas por todo o lado e muito fogo de artifício.

Venda de máscaras para Diwali na beira da estrada.
Venda de lanternas para o Diwali.
Desfile nocturno com encenação da luta do bem e do mal. 
E no dia seguinte, os bonecos de papelão dão lugar às cinzas.
 
Casa estilo Goês de uma família Indiana rica (esta foto é de metade da casa!).
 
A casa está dividida em 2 partes que correspondem a 2 ramos da família. Em baixo, podem ver-se 3 divisões da casa (esta casa é a menos impressionante das 2). Hoje em dia, estas famílias, outrora abastadas, lutam por preservar as casas mas os custos de manutenção são elevados e por isso tentam obter rendimentos alugando-as para produções fotográficas, filmes ou recebendo visitas de turistas.


Salão de festas.

Um clássico da Índia, vacas em contramão! Na Índia há um provérbio que diz que para se conduzir tem que ser ter "Good Honk, Good brakes and Good luck!" e isso diz tudo sobre o caos que são as estradas onde animais, pessoas, camiões, motas e bicicletas disputam a rodovia sem regras nenhumas.

Búfalos asiáticos no banho (water buffalos).


 Praias selvagens com mar bastante selvagem. Goa é o destino de eleição para praia na Índia e desde o 11 de Setembro que face à diminuição do turismo americano e europeu, passou a seduzir em grande força o turismo Russo (tudo está em Inglês e Russo).
 Cricket o desporto favorito da Índia mas não em Goa, onde se encontram as melhores equipas de Futebol da Índia. Estes miúdos jogam cricket mas todos têm camisas de clubes de futebol.





quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Incredible India: Mumbai, ao ritmo de Bollywood

Mumbai, ao ritmo de Bollywood.

Mumbai foi baptizado de Bom Bahai pelos Portugueses que a ofereceram em 1661 como dote a Carlos II pelo casamento com Catarina de Brangança.

Actualmente, Mumbai é a capital comercial e o reino de Bollywood, tem o dobro dos habitantes de Portugal e acho que isso diz tudo sobre a pressão nos recursos a que a cidade está sujeita.  Os transportes estão apinhados, há bastante lixo acumulado e há bastante pobreza (mais de metade dos seus habitantes vivem em bairros de lata) mas a verdadeira beleza da Índia não está nas grandes cidades...





A lavandaria a céu aberto (Dhobi Ghat)

 Comboios apinhados

Gateway of India e Taj Mahal Palace (o hotel onde houve o atentado em 2008)
 Cadeiras para carregar quem não consegue subir até aos cave temples de Elephanta island. Esta ilha, ao largo de Mumbai, foi baptizada pelos portugueses porque havia uma rocha que lembrava a figura de um elefante. Esta rocha já não existe porque os ingleses ao tentarem removê-la, acabaram por destruí-la.
 MEDO...
 Dabba-Wallahs -> 5000 destes trabalhadores, muitos analfabetos, entregam diariamente cerca de 200.000 almoços. O trabalho deles é apenas o transporte destas lancheiras que passam de mão em mão, com base na leitura de um código de cores que indica a morada. A dificuldade é que a maior parte das ruas não tem nome e as portas não têm número...logo o seu standard de 1 erro por cada 6 milhões de entregas, torna-os um extraordinário exemplo mundial de six sigma.
Chhatrapati Shivaji Terminus (Victoria Terminus)

 Mani Bhavan (casa onde Gandhi viveu em Mumbai)

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Sri Lanka: Nuwara Eliya, na terra do chá e da contrafação

Nuwara Eliya.
Sri Lanka.

Nuwara Eliya fica no meio das montanhas mais altas do Sri Lanka, bem no centro do país. Nuwara Eliya, propriamente dita é uma rua de comércio, mais precisamente, uma rua de contrafacção. A história é que todos eles vão comprar às múltiplas fábricas internacionais que produzem no Sri Lanka marcas como Columbia, North Face, Ralph Lauren...

As montanhas em redor de Nuwara Eliya estão cobertas por plantações de chá dominadas por nomes ingleses. O chá foi introduzido quando as plantações de café, anteriormente introduzidas nesta zona, foram dizimadas. Esta zona geográfica de montanha, chuvosa e de temperaturas mais baixas foi apelidade de Little Britain pelos ingleses que se deslocavam para aqui quando o calor de Colombo se tornava insuportável.


A estrada de montanha.
 Os macacos na beira da estrada comendo o lixo.
 Resmas de macacos na beira da estrada.
Trabalhadoras Tamil a colher as folhas do chá. Estas trabalhadoras recolhem cerca de 20kg de folhas de chá por dia e recebem entre $2 a $3. O chá encontra-se nas encostas logo os acessos são um desafio conjuntamente com as condições metereológicas. Neste dia chovia a potes e o nevoeiro no topo das montanhas fez-se sentir constantemente.


 Nas encostas estão o nome dos produtores de chá, como este, todos de origem inglesa.
Entrada para a fábrica de chá, Glenloch.
 A fábrica de chá. O processo produtivo deve ter evoluído pouco desde a revolução industrial, a avaliar pelas máquinas e pela quantidade de procedimentos manuais ainda envolvidos.
 A 1ª fase do processo: a secagem. Pelo tapete sopra uma aragem quente que vai libertando as folhas de toda a humidade que trazem.
Outra etapa do processo. O chá passa manualmente de máquina para máquina.
 Separação entre os vários tipos de chá (melhor e menor qualidade).
 Prontinho para ir para o leilão em Colombo ou com autorização especial, directamente para Londres. O melhor chá é vendido ao estrangeiro, o pior fica para consumo nacional.  
 A caminho de Nuwara Eliya.
 Sempre com cascatas fantásticas a acompanhar as montanhas.





 E mais macacos no lixo da beira da estrada...

Fiquei impressionada de como no meio da confusão desta farmácia, sem sistema informático que gira estas referências todas, ele encontrou o que lhe pedi num abrir e fechar de olhos. Perguntei-lhe qual era o sistema que usava. Ele respondeu que era a...memória!
 Este episódio foi surreal....neste dia, foi aberto ao público a residência oficial do presidente em Nuwara Eliya. Dado que ele deve vir umas duas vezes por ano aqui, decidiu fazer dinheiro com visitas de turistas a esta cottage inglesa no meio das montanhas. O hilariante é que neste dia como foi a abertura, convidaram todos os turistas que estavam nos hotéis da zona a ir lá. Nós nem sabíamos bem ao que íamos...quando chegámos estava a mesa presidencial montada, a servir pequeno almoço a um grupo de turistas tão perdidos quanto nós, rodeados de operadores de câmara e jornalistas. No fundo, eles precisavam de figurantes para fazer a cerimónia de abertura e atraíram-nos ali para servirmos esse propósito. Foi querido e fomos recebidos como umas estrelas...no final, tirámos uma foto todos juntos à porta de entrada com os guardas e staff da casa. Foi tudo surreal e hilariante...
A casa é gira e mais uma vez é surreal que esta casa que podia estar em North Yorkshire ou qualquer outro sítio rural do UK, está aqui. 


O pequeno almoço a ser servido à turistada (que ainda estava a tentar perceber o sentido de tudo isto). 
 O salão já sem a turistada.
 A cozinha.


 Um dos quartos. 
 O staff da casa que tão bem nos recebeu. Deram-nos pequeno-almoço, fizeram-nos uma visita guiada e despediram-se à porta. Se é assim connosco, não sei como será com a rainha de Inglaterra e ela também já pernoitou aqui.
 A casa vista de fora (e mais uma vez chovia a potes).
 Povoações na montanha.
 Mais trabalhores de chá.
 Agora sem grande ampliação, parecem formigas nos carreiros da montanha.