quarta-feira, 11 de abril de 2012

Viena, a cidade das grandes obras

Áustria.
Viena.

Esta viagem foi feita no final de 2009 e nesta altura não havia rua, palácio ou igreja que não estivesse em obras...ao que parece no início de 2010, iam ter lugar eleições autárquicas! Imagino que a cidade seja muito mais bonita quando está no seu estado natural.

Nesta viagem, eu estava responsável por coordenar um grupo de pessoas e como se sabe, é sempre difícil manter os horários completamente ao minuto quando se tem um grupo para coordenar (especialmente um grupo de Portugueses). E assim começou o inferno das repreensões, de motoristas de autocarro a empregados de restaurantes e confesso que não gostei porque no fundo quem estava a pagar éramos nós e como tal não se deve repreender os clientes, isto se querem que estes voltem. 

Coisas simples como mudar cadeiras numa esplanada ou apanhar um prato que se partiu no chão, foram sempre encarados como um transtorno por parte dos empregados e feitos sempre com má cara. Esta antipatia foi constante, nos vários sítios a que fomos, e a atitude paternalista de repreensão também sempre que algo corria menos bem.

A gota de água foi quando, o motorista do autocarro que nos ia buscar depois do jantar não apareceu porque como estávamos atrasados decidiu ir-se embora sem dizer nada!!! 

Gostei de Viena, apesar das obras, mas fiquei com péssima imagem da qualidade dos serviços. Para mim é um factor determinante pois não gosto de estar a ser constantemente repreendida enquanto cliente /turista, especialmente porque estava a representar um grupo de estrangeiros que podem voltar/recomendar a cidade. E pelo que já ouvi de outros turistas em Viena, nós não fomos casos únicos deste tipo de comportamento, devia ser algo a repensar pelo turismo na cidade...Relaxem!!!!

  Stephansdom, catedral gótica do século XI... e em obras. Parte da fachada estava tapada.
 A rua pedreste e a principal para as compras... também ela em obras.
 Hotel Sacher, conhecido mundialmente pelo seu famoso bolo de chocolate (Sachertorte). Vale a pena visitar o hotel e o café.
 O Parlamento
 Palácio de Belvedere...em obras. Aqui se encontram alguns quadros de Klimt, nomeadamente o famoso "Beijo". Lindo por dentro e por fora!
 Os jardins do Palácio de Belvedere.
No distrito de Landstraße, na esquina das ruas Kegelgasse e Löwengasse fica a Hundertwasserhaus, um edifício inspirado pelas ideias de Hundertwasser, cujo o princípio se baseava numa arquitectura em comunhão com o Homem e Natureza. Vale a pena conhecer este viajante do mundo e homem multifacetado na pintura e arquitectura!

http://www.hundertwasser.at/english/hundertwasser/biographie.php




segunda-feira, 9 de abril de 2012

Livro da semana: As velas ardem até ao fim

E no seguimento da visita a Budapeste lembrei-me deste livro do qual gostei bastante. Sándor Márai, um dos maiores autores Húngaros e cuja obra quero sem dúvida explorar mais...o próximo será "Divórcio em Buda". Por agora fica aqui a sugestão:



Sinopse:
Um pequeno castelo de caça na Hungria, onde se celebravam elegantes saraus em salões decorados ao estilo francês ao som da música de Chopin, é o cenário decadente que retrata o fim de uma época. Dois homens, amigos inseparáveis na juventude, sentam-se para jantar depois de quarenta anos sem se verem. Um, passou muito tempo no Extremo Oriente, o outro, ao contrário, permaneceu na sua propriedade. Mas ambos viveram à espera deste momento, pois entre eles existe um segredo de uma força estranha que os liga de maneira singular. 



domingo, 8 de abril de 2012

Auschwitz/Birkenau: a visão do inferno

Polónia.
Oświęcim/ Brzezinka.

A cerca de 50 km de Cracóvia, ficam os campos de concentração/extermínio rebaptizados pelos Alemães de Auschwitz/Birkenau, um dos sítios mais intensos e arrepiantes onde alguma vez estive. Nada comparado nem em tamanho nem em perversão com o campo de concentração de Neuengamme (Alemanha) onde já tinha estado.   

O complexo de Auschwitz foi o maior de todos os campos de concentração/extermínio e consiste em 3 campos:  Auschwitz  I (campo base),  Auschwitz II Birkenau (campo de extermínio) e  Auschwitz III Monowitz (campo de trabalho) e mais outros 45 campos satélites. A dimensão é avassaladora pois não se consegue abarcar com a vista o fim do campo.

Em Janeiro de 1942, saiu da conferência de Berlim, a decisão para aquilo que os nazis chamavam a "solução final para a questão judaica". Para resolver esta questão, os nazis fizeram estimativas por país de quantos judeus existiriam na Europa na altura e chegaram a um número total de 11 milhões (cerca de 3.000 em Portugal). Dado o elevado número estimado, os nazis começaram a pensar num forma rápida de aniquilação em massa. A solução encontrada foram campos como Auschwitz/Birkenau. Estima-se que neste campo tenham morrido cerca de 1,3milhões de pessoas das quais 90% eram de origem Judaica. Os outros 10% eram constituídos maioritariamente por Polacos, Ciganos, Húngaros e Russos (prisioneiros de guerra). 

Devido às péssimas condições de vida nos campos, à fome, às doenças e às experiências médicas realizadas, a média de vida dos prisioneiros era de 2 meses.

A entrada para Auschwitz  I (campo base) com a célebre frase do "Trabalho torna-te livre" (Arbeit macht frei)...é impossível pensar em frase mais infeliz. Junto ao portão de entrada, encontrava-se sempre uma banda constituída por prisioneiros que tocava marchas alemãs, incutindo uma cadência no passo dos prisioneiros que facilitava o trabalho de contagem dos prisioneiros, quando estes saíam de manhã e quando regressavam à noite.
O aspecto geral do campo.



O campo de Auschwitz  II/ Birkenau, o mais mortífero de todos. Os prisioneiros chegavam de comboio e ao sair do comboio, eram avaliados em 2 segundos, ainda na plataforma, por um médico que os mandavam directamente para a câmara de gás, caso não fossem aptos para trabalhar (caso de crianças, idosos, doentes e grávidas) ou os mandava para os campos de trabalho.
A dimensão avassaladora do campo que é a perder de vista....
Uma carruagem a lembrar como era feito, o desembarque e a escolha automática dos que viviam (um pouco mais) e dos que morriam logo.
Os destroços deixados na tentativa de eliminar as provas da existência das câmaras de gás e dos fornos crematórios.
Embora iguais, de um lado do campo as casas são de tijolo e do outro são de madeira.
As instalações dos prisioneiros, rudimentares e sempre sobrelotadas.
Os sanitários que os prisioneiros tinham o direito de usar apenas 2 vezes por dia, de manhã e à noite.
As instalações dos prisioneiros das casas de madeira, muitas eram adaptações de estábulos.
As instalações de madeira a perder de vista.
O desespero era tanto que alguns prisioneiros suicidavam-se indo de encontro à cerca electrificada.

Só tirei fotos aos exteriores e interiores das instalações que atestam a miséria humana e moral do maior cemitério onde já estive. Por pudor, fui incapaz de tirar fotos aos objectos pessoais dos prisioneiros, como se tudo o que estivesse ali já tivesse sido devassado o suficiente para ainda ficar registado em fotos. Esses objectos são as memórias dos que por ali passaram e devem ser resguardados e respeitados. Não tirei fotos sequer às câmaras de gás e fornos crematórios pois acho que nunca conseguiria olhar para essas fotos. Fiquei chocada, quando um grupo que assumo de extrema direita, tirava fotos em frente aos fornos crematórios...quem no seu perfeito juízo quer uma foto em frente a um forno crematório???? 

Apesar de Auschwitz ser uma lição arrepiante e uma história que nunca mais se deve repetir, infelizmente mais casos semelhantes têm vindo a ser encontrados em outras situações de guerra pelo mundo. E até na Europa voltou a repetir-se.



sábado, 7 de abril de 2012

Cracóvia, uma história sofrida

Polónia.
Cracóvia.


Sete horas e meia depois de Bratislava, divididas entre 3 comboios (outra vez do modelo uh uh, pouca terra pouca terra) com transbordo em Břeclav (Rep. Checa) e Katowice (Polónia), chego finalmente a Cracóvia.

A história de Cracóvia é um reflexo da história da própria Polónia marcada por invasões violentas de vizinhos poderosos. Foi invadida pelos Mongóis várias vezes, foi capital do reino Polaco-Lituano, fez parte da Liga Hanseática, foi invadida pelos Suecos (até pelos Suecos!!!) e perdeu importância para Varsóvia, passou pelas mãos da Rússia, Prússia e da Áustria até chegarem os Nazis e finalmente os Russos.

Da história mais recente foram muitas as baixas nas mãos dos Nazis e dos seus campos de concentração, primeiro de intelectuais polacos e depois de judeus. Esta situação deveu-se principalmente à posição geográfica da Polónia e em especial da zona de Cracóvia, que era bastante central para recolher os "indesejados" pelos nazis dos países circundantes, e longe o suficiente dos países que poderiam causar mais transtorno como França e Inglaterra. Foi das poucas cidades Polacas que sobreviveu miraculosamente quase intacta à 2ªGM. Depois vieram os Russos com a sua repressão intelectual e miséria. Mais recentemente, Cracóvia é associada a um dos seus cidadãos mais conhecidos internacionalmente, o Papa João Paulo II, o primeiro Papa não italiano em 455 anos. 

Assim é Cracóvia, uma cidade bonita com uma história para contar (e recordar).


O castelo que fica na colina de Wavel, o ponto mais alto da cidade.
O pátio do castelo
A Catedral, onde estão os túmulos de vários reis e onde se pode subir à torre. Na torre, para além de se ver 3 sinos gigantes pode-se também ter uma visão geral da cidade (mais interessante que os sinos, digo eu).
Uma maquete da área do castelo.


O mercado na praça principal
O interior do mercado.
A praça principal preparada para a Páscoa.
Praça principal, com uma das 48 igrejas de Cracóvia. Esta é a igreja de Santa Maria Virgem, para mim uma das mais bonitas. Se bem que ao fim de ver umas 10 igrejas todas elas lindas, confesso que fico imune à beleza de todas as outras que se seguem. 
                                                          Outra perspectiva da praça principal...
...e ainda outra perspectiva da praça principal.
                                                         Rua Florianska, uma das ruas principais.
A porta de São Florián, que abre para a Rua Florianska.


O mercado onde tudo é mais barato. É impressionante o número de idosos que às portas do mercado vende objectos pessoais para arrendondar a reforma. E quando digo objectos pessoais é um par de sapatos ou um fato melhorzinho...a outra face de uma economia em expansão.
O Barbakan
O meu hotel, que para além disso era um dos edifício mais giros de Cracóvia...era um bocado difícil encontrar os quartos dado estes estarem distribuídos internamente por 4 edifícios mas é good value for money e muito central. E aparentemente um dos melhores restaurantes da cidade. Confesso que para mim só o pequeno almoço é que era demasiado Polaco para o meu gosto pois não gosto de começar o dia a comer comida pesada, como salsichas, enchidos, etc.
A cidade vista da torra da catedral.
A vista do Castelo para o rio Vístula. O cenário ideal para os locals lagartarem nos fins-de-semana.
O dragão, o símbolo da cidade de Cracóvia. A estátua expele fogo de 5 em 5 minutos... 
A igreja dos santos Pedro e Paulo, outra das mais bonitas.
As casas coloridas de Cracóvia...

No bairro judeu de Kazimirz, um bairro que se desenvolveu desde o séc. XIV junto a Cracóvia.  Neste antigo mercado, era vendido e executado o gado segundo as tradições judaicas. Agora, tem diariamente um mercado de coisas em segunda mão e um dos botecos mais famosos pelas suas sandes com tudo e mais alguma coisa, a preços simpáticos ( a fila para estas sandes era impressionante).
Lojas judaicas em Kazimirz. Os números são chocantes, no início da 2ªGM, existiam cerca de 65.000 judeus, hoje a comunidade não passa dos 150. A maior parte morreu nos campos de concentração das proximidades e os restantes não voltaram.

Quando os nazis chegaram a Cracóvia, acharam que os judeus deveriam sair de Kazimirz e ir ainda mais para fora da cidade, para aquilo a que chamaram de ghetto. Desta forma cerca de 15.000 judeus mudaram-se para um bairro previamente habitada por 3.000 pessoas, numa área que consistia em 30 ruas e 320 edifícios (era um apartmento para cerca de 4 famílias e muitos viviam na rua).

Era desta praça (Zgody) do ghetto que milhares de judeus foram deportados para os vários campos de concentração/extermínio como  Płaszów e Auschwitz. Para homenagear estas vítimas, nesta praça do ghetto, estão espalhadas algumas dezenas de cadeiras. As cadeiras prendem-se com o facto de os judeus quando foram forçados a mudar-se para os ghettos levaram os seus objectos pessoais todos como cadeiras, por exemplo. 
Na fábrica de Oskar Schindler, no ghetto judaico. Schindler tal como Aristides de Sousa Mendes não teve o reconhecimento no seu devido tempo, acabando também na miséria e a ser ajudado por organizações judaicas para conseguir sobreviver.
O edifício da fábrica. As fotos que estão no vidro são as das pessoas salvas por Schindler, os seus  empregados cuja liberdade pagou do seu bolso.  
O muro que delimitava o ghetto, à semelhança de um túmulo judeu. Um condicionamento psicológico extremamente maquiavélico. O realizador Roman Polanski foi um dos que conseguiu fugir do ghetto.
A única ponte que escapou à 2ª GM.
A maravilhosa cozinha Polaca...embora não muito light e bastante carnívora.